
Onda de calor no Brasil: impactos na agricultura, saúde e medidas de prevenção
No mês de setembro, meteorologistas e pesquisadores emitiram alertas sobre a chegada de uma onda de calor em grande parte do Brasil, com previsões de temperaturas de impressionantes 45°C. Este fenômeno climático extremo aconteceu em regiões como o Sudeste e o Centro-Oeste, trazendo uma série de impactos significativos nas áreas agrícolas, nas cotações das commodities no mercado externo e na saúde dos produtores rurais.
Para quem trabalha no campo, os cuidados em relação ao clima precisam ser redobrados. A exposição prolongada e sem proteção a temperaturas tão elevadas pode causar danos irreversíveis e a longo prazo, afetando negativamente a produtividade nas atividades rurais. Além disso, os sintomas causados pela exposição ao calor intenso, como fadiga, dores musculares e cansaço, podem prejudicar ainda mais o desempenho no campo.
De acordo com dados da revista científica The Lance de 2018, o setor agrícola perdeu cerca de 133 bilhões de horas em todo o mundo devido ao calor excessivo, enquanto o setor industrial também sofreu perdas significativas, com 30 bilhões de horas perdidas globalmente.
De acordo com o Canal Rural, o climatologista e professor de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Miguel Pocharski, destacou em uma entrevista que mais de 90% dos trabalhadores rurais que participaram de uma pesquisa relataram queda na produtividade durante ondas de calor.
Em um ponto que interessa a todos, o calor excessivo também afeta o gado, causando estresse térmico. Um estudo da Embrapa mostrou que a criação de sombras artificiais pode melhorar o desempenho dos animais e reduzir o consumo de água e solo em confinamentos bovinos. A umidade do ar desempenha um papel crucial na intensidade dos impactos do calor. Ambientes com baixa umidade afetam menos o trabalho no campo do que locais úmidos. Isso porque, em condições de alta umidade, o corpo humano não consegue evaporar o suor adequadamente, levando ao superaquecimento interno.
O calor extremo afeta significativamente o corpo humano, podendo causar danos tanto a curto quanto a longo prazo. Além dos cidadãos urbanos, os trabalhadores rurais estão particularmente vulneráveis, pois muitas vezes não têm acesso a ferramentas como ar-condicionado ou ventiladores em seus locais de trabalho.
O estresse térmico é um dos principais problemas enfrentados e pode resultar em sintomas como dores locais, enjoo, tontura, dores de cabeça, cãibras, fadiga, desidratação e mal-estar. A insolação, um estágio mais avançado de exposição ao calor, ocorre quando as temperaturas internas e externas do corpo ultrapassam os 40°C e pode levar à taquicardia, desmaios, confusão mental, pressão alta e até falência total dos órgãos, podendo ser fatal.
Doenças crônicas, como o câncer de pele e doenças renais, podem se desenvolver ao longo dos anos de exposição ao calor excessivo, com algumas delas não tendo cura. O estresse térmico e a insolação permanecem como as principais ameaças à saúde dos trabalhadores rurais.
Por isso, é importante entender que a onda de calor que atinge o Brasil tem consequências significativas na agricultura, na pecuária e na saúde dos trabalhadores rurais. A adoção de medidas de prevenção é essencial para mitigar os impactos dessas condições climáticas extremas e garantir a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos no setor agrícola.