
Onda de Calor Desafia Setores Agrícolas e Pecuários em Meio a Reflexões sobre o Dia da Natureza
Desde o início da primavera, em setembro, uma intensa onda de calor tem acontecido em todo o país, desafiando as expectativas de uma estação mais amena. O fenômeno El Niño é apontado como o responsável por transformar o clima, geralmente moderado, em uma mistura de verão, caracterizada por altas temperaturas e chuvas intensas. As alterações climáticas, evidenciadas neste período tem nos levado a reflexões sobre a importância da preservação ambiental.
Durante os últimos meses, as temperaturas atingiram níveis extremos por quase duas semanas, marcando um período fora do comum. Willians Bini, meteorologista e head de comunicação da Climatempo, adverte que calor e umidade são fatores propícios para chuvas fortes e temporais, tornando difícil prever quando e onde ocorrerão.
A agricultura, em especial o setor de hortifrúti, é impactada por essa onda de calor fora de época. Alimentos sensíveis a altas temperaturas, desde a lavoura até a mesa do consumidor, sofrem consequências. David Rodrigues, Extensionista Rural da CATI Regional Mogi das Cruzes, destaca que em Mogi das Cruzes, conhecida pelo Cinturão Verde da Região Metropolitana de São Paulo, o calor intenso afeta significativamente a qualidade das plantas, promovendo a necessidade de técnicas de produção inovadoras.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), tem incentivado novas técnicas na região para mitigar os efeitos climáticos, incluindo a utilização de bioinsumos e a implementação do Sistema de Plantio Direto em Hortaliças (SPDH), que consiste na cobertura do solo para proteger as plantas e conservar a umidade.
O calor excessivo também afeta a produção de carne bovina, com o estresse térmico limitando a qualidade do produto. Claudia Cristina Paro de Paz, pesquisadora do Instituto de Zootecnia (IZ – APTA), explica que os bovinos ajustam sua temperatura interna às condições externas, sendo crucial desenvolver práticas sustentáveis e focadas no bem-estar animal.
Na piscicultura, a elevação da temperatura da água durante os meses mais quentes demanda estratégias para manter a produtividade. Andreas Karl Plosch, proprietário do Sítio Forelle Trutas, destaca que a diminuição da solubilidade de oxigênio na água prejudica a alimentação dos peixes, exigindo adaptações no manejo.
Leonardo Tachibana, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquicultura do Instituto de Pesca (IP – APTA), ressalta que o aumento do calor também impacta a reprodução de algumas espécies, enquanto outras, como a tilápia, podem antecipar o período de reprodução em resposta às temperaturas mais elevadas.
Em meio a esses desafios, as instituições e produtores buscam soluções inovadoras para preservar a produção agrícola e pecuária, reforçando a necessidade de práticas sustentáveis diante das mudanças climáticas.
Fonte das informações: portal de notícias do Governo do Estado de São Paulo