Mercado global de proteína animal.

Mercado global de proteína animal.

O setor de proteína animal vive um momento de transformação profunda, impulsionado por tendências de consumo mais saudáveis, inovação tecnológica, expansão geográfica e diversificação dos usos das proteínas em múltiplos segmentos. Segundo o relatório Global Animal Protein Market (2017–2029), publicado pela consultoria Mordor Intelligence, o mercado global de proteínas de origem animal deverá alcançar US$ 12 bilhões até 2029, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 4,92% entre 2024 e 2029.

O relatório traz dados importantes para os associados da Assesisp, que atuam nos setores de carnes, lácteos, pescados e ovos, ao apontar um cenário positivo para a cadeia produtiva e seus múltiplos segmentos de aplicação — que vão desde alimentos e suplementos até cosméticos e nutrição médica.

Alimentos e bebidas lideram a demanda global

O principal mercado consumidor de proteínas animais em 2023 foi o de alimentos e bebidas, com destaque para os segmentos de panificação, bebidas funcionais, laticínios e refeições prontas. A busca por produtos ricos em proteínas e com apelo saudável vem incentivando fabricantes a desenvolverem soluções com rótulos limpos (clean label), sustentáveis e de origem animal certificada.

As proteínas do soro do leite (whey protein) lideram em participação de mercado e seguem em alta devido ao seu perfil nutricional completo e versatilidade em formulações alimentares e esportivas. Já o colágeno desponta como o tipo de proteína com crescimento mais acelerado, impulsionado pela demanda por benefícios digestivos, articulares e estéticos.

Suplementos e cosméticos ganham relevância

Outros segmentos que vêm crescendo rapidamente são os de suplementos alimentares — especialmente para nutrição esportiva — e os cosméticos e produtos de cuidados pessoais enriquecidos com proteínas. A procura por fórmulas funcionais, como cremes, shampoos e alimentos enriquecidos com colágeno, tem impulsionado o consumo em mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia.

Ração animal também é destaque

No setor de alimentação animal, o estudo aponta um crescimento sustentável, com destaque para o uso de proteína de insetos e proteína de ovo em rações premium, sobretudo na nutrição de pets e animais de alto desempenho. A inovação nesse campo também abre espaço para novos mercados e posiciona o Brasil como um potencial fornecedor global.

Brasil e América do Sul no radar das exportações

A América do Sul, e particularmente o Brasil, aparece no relatório como um polo relevante tanto na produção quanto na exportação de proteínas animais. O país se beneficia de vantagens competitivas como clima, escala produtiva e capacidade tecnológica, além de contar com um rigoroso sistema de inspeção e rastreabilidade, que garante confiança aos mercados internacionais.

A estrutura regulatória brasileira, sob responsabilidade do MAPA e da Anvisa, é destacada no estudo como alinhada às boas práticas internacionais, fator essencial para consolidar o Brasil como líder global em proteína animal.

Expectativas para os próximos anos

O relatório ainda projeta um avanço consistente até 2029, com aumento no consumo de proteínas em todas as regiões analisadas, especialmente na Ásia-Pacífico e na África. Entre os fatores que impulsionam esse crescimento estão o aumento da renda per capita, a urbanização, o envelhecimento populacional e a crescente valorização de dietas balanceadas e funcionais.

Além disso, a demanda por produtos sustentáveis e rastreáveis deve crescer, exigindo dos produtores investimentos em inovação, certificações e práticas de bem-estar animal. Nesse contexto, a atuação coordenada entre governo, setor privado e associações como a Assesisp torna-se cada vez mais estratégica.