
Crise Climática: uma realidade para as nossas vidas e para a Produção Agropecuária
Ondas de calor fora de época, temperaturas escaldantes próximas a 50°C, secas na Amazônia e incêndios florestais devastadores não podem ser tratados como simples coincidências. Um estudo recente, conduzido pela Escola de Ciências Atmosféricas da Universidade Sun Yat-sen, na China, e divulgado pelo site Globo Rural, traz um alerta preocupante: 2023 pode estar entre os anos mais quentes já registrados, ficando atrás apenas de 2016 e 2020.
Esta informação é resultante de uma análise abrangente de dados climáticos globais, conhecida como Merged Surface Temperature 2.0 (CMST 2.0), e ecoa o chamado de alerta emitido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em relação aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo a ONU, o planeta deixou para trás a era do "aquecimento global" e ingressou na era da "ebulição global."
O estudo prevê um aumento contínuo nas temperaturas da superfície global no segundo semestre de 2023, impulsionado pelo fenômeno El Niño e pelos incêndios florestais generalizados. Segundo o relatório, "os últimos cinco meses de 2023 devem se aproximar do nível médio dos últimos cinco anos. A anomalia média anual de 1,26°C quebrará o recorde anterior, registrado em 2016, de aproximadamente 1,25°C."
Mas o que exatamente significa "ebulição global"? O termo, cunhado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, busca descrever a fase atual do aquecimento do planeta devido às mudanças climáticas. Esta fase é caracterizada por um aumento acelerado das temperaturas da Terra e uma intensificação de eventos climáticos extremos, desde chuvas mais intensas até ondas de calor extremas, como as que estamos experimentando atualmente no Brasil.
Cleverson Freitas, agrometeorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), também em entrevista para o Globo Rural, aponta que, embora seja uma expressão alarmista, o termo serve para destacar a urgência de uma ação global imediata e coordenada. "É uma expressão metafórica, não técnica. O objetivo é enfatizar a urgência e gravidade da situação climática global e comunicar a seriedade e a necessidade de ação imediata," explica.
No contexto brasileiro, a presença de uma bolha de ar quente entre o Paraguai e o Centro-Oeste brasileiro contribui para as altas temperaturas registradas em várias regiões do país. Além disso, eventos climáticos extremos, como o ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul em setembro, são reflexos da crise climática que nos afeta diretamente.
É importante notar que, em julho de 2023, registrou-se o mês mais quente já documentado na história do planeta, com temperaturas cerca de 1,5°C acima da média pré-industrial. A América do Sul, África e Ásia foram as regiões mais afetadas. O alerta não poderia ser mais claro: é um "período de intensificação sem precedentes e de extrema preocupação," conforme descreve a ONU.
Um estudo realizado pela ONG CarbonPlan, em parceria com o The Washington Post, projeta que, até 2030, mais de 2 bilhões de pessoas estarão expostas a um mês inteiro de temperaturas acima de 32°C. No Brasil, a cidade de Belém, no Pará, poderá se tornar uma das mais quentes do mundo até 2050.
Agora, mais do que nunca, a urgência de ações eficazes para combater as mudanças climáticas é evidente. Como António Guterres alertou em 2019, "se não agirmos, esses eventos climáticos extremos são apenas a ponta do iceberg [...] Os principais cientistas do mundo nos dizem que precisamos limitar o aumento de temperatura a 1,5°C se quisermos evitar os piores impactos no clima."
A exposição a temperaturas extremas representa riscos graves à saúde, especialmente para idosos e pessoas enfermas, como destacado por especialistas da MetSul Meteorologia. Em 2022, ondas de calor na Europa causaram um número alarmante de mortes, um lembrete sombrio de que o calor pode ser mais letal do que tornados, furacões e tempestades severas.
E isso também impacta a saúde e a sobrevivência dos animais, o que tem uma relação direta com a produção de proteína de origem animal, principalmente na produção de leite, ovos, pescado, mel e carne. Por isso, fica claro que a crise climática é real, e suas consequências são globais. É um desafio que não pode ser enfrentado isoladamente, mas exige esforços coordenados e imediatos de todos os setores da sociedade, incluindo a indústria de proteína animal em São Paulo.
À medida que enfrentamos esses desafios, a adaptação e a busca por práticas mais sustentáveis tornam-se essenciais. A resiliência e a inovação são chaves para garantir que possamos superar esses obstáculos, protegendo nosso planeta e nosso futuro. E, claro, a Assesisp estará sempre atenta para discutir e propor novas formas de encarar o desafio e trazer soluções inovadoras.