
O desafio do consumo de mel no Brasil
Em um panorama onde o Brasil se destaca como o décimo primeiro maior produtor de mel no mundo, com uma produção que gira em torno de 42 mil toneladas anuais, um detalhe chama a atenção e aponta para uma grande oportunidade de expansão: o consumo interno de mel no país é um dos menores do mundo, com uma média per capita de apenas 60 gramas ao ano. Esta cifra contrasta significativamente com a média mundial, que é de 240 gramas por pessoa por ano, conforme revela a pesquisa da Efficienza.
A produção brasileira de mel é marcada pela predominância de pequenos apicultores, que juntos respondem por cerca de 17% da produção total, incluindo a parcela destinada à exportação. Por outro lado, menos de 1% dos apicultores, aqueles com mais de 701 colmeias, produzem 9,8% do total de mel do país. Este cenário reflete o potencial de crescimento que ainda pode ser explorado através de mais investimentos e dedicação dos produtores.
A distribuição do consumo interno do mel no Brasil revela que 53% é utilizado como mel de mesa, empregado no adoçamento de bebidas, frutas, ou consumido in natura; 35% é absorvido pela indústria alimentícia como ingrediente; e os 11% restantes são utilizados pelas indústrias de cosméticos, tabaco, e ração animal. Estes números não só evidenciam a versatilidade e a importância do mel como produto, mas também indicam que há um vasto campo para aumentar o seu consumo nas diversas facetas da vida cotidiana brasileira.
O baixo consumo interno, além de limitar o mercado interno para os produtores nacionais, freia a expansão do setor apícola como um todo. Considerando a posição do Brasil na produção global de mel e as qualidades reconhecidas do mel brasileiro em mercados internacionais, está clara a necessidade de incentivar o consumo interno. Esse incentivo não só abriria portas para novos negócios dentro do país, mas também fortaleceria a indústria apícola nacional, dando-lhe maior estabilidade e capacidade para competir no cenário global.
Em matéria do portao Agrolink, Fábio Pizzamiglio, diretor da Efficienza, ressalta a oportunidade que o Brasil possui para expandir sua produção e presença no mercado externo, especialmente em um contexto de valorização do real frente ao dólar. No entanto, para aproveitar plenamente essas oportunidades, é fundamental que haja um aumento na produção nacional e na quantidade de mel disponível para exportação.
Dados de exportação do início de 2023 mostram uma redução tanto em volume quanto em valor, comparados ao mesmo período do ano anterior. Esse declínio aponta para a necessidade urgente de estratégias que visem não só a manutenção mas a expansão da produção e do consumo de mel no Brasil.
Incentivar o consumo interno de mel não é apenas uma questão de aumentar os negócios e a produção; é também uma maneira de promover um estilo de vida mais saudável entre os brasileiros. O mel é um produto natural com múltiplos benefícios para a saúde, e sua inclusão na dieta diária da população pode contribuir significativamente para o bem-estar geral.
Diante desse cenário, é fundamental que produtores, governo e nossas entidades, dentro delas a Assesisp, com seus representantes do mercado de mel, unam esforços para promover o consumo de mel no Brasil. Campanhas de conscientização sobre os benefícios do mel, incentivos para a produção apícola, e a exploração de novos mercados internos podem ser chaves para desbloquear o potencial desse mercado. Aumentar o consumo de mel no país não só beneficiará a economia como também contribuirá para a saúde e a qualidade de vida de todos, consolidando o mel como um alimento importante na dieta nacional.